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Filé alagoano: o bordado do Pontal da Barra tem selo de origem e pedidos dos EUA

Feito às margens da lagoa Mundaú, o filé tem regras, conselho de artesãs e código de rastreio na etiqueta. Veja quem faz e para onde vai.

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Três mulheres bordam juntas, cada uma com sua agulha, num tear cheio de motivos coloridos
Três mulheres bordam juntas, cada uma com sua agulha, num tear cheio de motivos coloridos · Foto: Ascom Serfi

O Pontal da Barra fica às margens da lagoa Mundaú, em Maceió, e nasceu em torno de uma colônia de pescadores. É ali que o bordado filé ganha as vitrines: há dezenas de lojas na rua principal e nas ruas laterais do bairro.

O filé é Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas desde 2014, por registro do Conselho Estadual de Cultura. Em 2016, o INPI reconheceu o bordado das lagoas Mundaú e Manguaba com Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência.

As regras do selo

O selo é administrado pelo Inbordal, o Instituto do Bordado Filé, detentor da Indicação Geográfica e órgão regulador. Ele foi criado com apoio do Sebrae por associações de filezeiras.

As regras estão no Caderno de Instrução, escrito pelas próprias bordadeiras. Entre elas, a malha de no máximo 1,5 cm. Um Conselho Regulador de três artesãs avalia as peças. Quem compra pode rastrear a peça pelo código da etiqueta, no site do Inbordal.

Para onde vai o filé

O Inbordal também recebe encomendas e as reparte entre as associadas. Há pedidos de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Mato Grosso, além de pedidos dos Estados Unidos.

A marca Mog fez 200 peças para exportação, e a Cantão usou filé na coleção de verão de 2014. Há lojas com filé em Trancoso, na Bahia, e em São Miguel dos Milagres, em Alagoas.

Maylda Cristina Soares da Silva, presidente do Inbordal em 2022, lembra como era antes do selo: “A gente não tinha noção de preço nem de valor, só sabia que bordava, vendia e ganhava um trocado”. O Sebrae ensinou a tabela de preços.

A rendeira que vende pelo celular

Adriana Gomes tem 44 anos e cerca de 38 de bordado. É natural do Pontal da Barra e aprendeu vendo a mãe. Seu ateliê recebeu a placa do programa Alagoas Feita à Mão.

Hoje, ela tem no Instagram a principal vitrine. “Meu foco hoje é vender pelo Instagram”, diz. “Através das mídias sociais tem sido mais fácil de conhecer nosso trabalho.”

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