Fazenda de 150 hectares em Boca da Mata colhe açaí de manhã e processa à tarde
O Açaí Guardiã produz cerca de 600 toneladas por ano em área irrigada e colhe mais de 70% dos frutos entre dezembro e março
Cerca de 600 toneladas de açaí por ano saem de 150 hectares plantados na Fazenda Águas de São Bento, em Boca da Mata. É a área do Açaí Guardiã, marca do empresário Ricardo Jorge Tenório, que a fazenda apresenta como uma das maiores do Nordeste.
As primeiras mudas vieram de Belém, no início dos anos 2000. A lavoura começou para consumo da família e virou negócio comercial. Hoje, cerca de 40 pessoas trabalham na plantação e mais de 14 na fábrica, que faz polpa e sorvete de açaí.
Como a palmeira leva em média cinco anos para dar fruto, cerca de 70% da área já está em colheita. O produtor diz obter perto de 6 toneladas de produto pronto por hectare.
Plantação irrigada mesmo com chuva
A plantação tem sistema próprio de irrigação, com fertilizante aplicado junto com a água, a chamada fertirrigação. Segundo Ricardo, a produtividade fica de 20% a 25% acima da do cultivo nativo.
Os açaizeiros crescem em touceiras de três, com espaçamento de cerca de 5 por 5 ou 6 por 6 metros. A propriedade também testa variedades, para ver qual se adapta melhor e rende mais.

Colhe de manhã, processa à tarde
O açaizal fica ao lado da fábrica. “Aqui eu colho de manhã e à tarde eu processo, então nosso açaí não perde cor, nem sabor”, diz Ricardo. No Pará, por ser planta nativa, o fruto pode levar de um dia a um dia e meio para chegar à indústria.
O calendário também é outro. A produção acontece o ano todo, e mais de 70% dos frutos são colhidos entre dezembro e março. No Pará, o ciclo vai de agosto a dezembro.
Só cerca de 10% do fruto vira polpa. O caroço é usado como combustível em fornos e caldeiras, e a fazenda faz um experimento com caroço triturado em ração animal. Os produtos vão para indústrias e estabelecimentos de alimentos, supermercados, lanchonetes e consumidores.
Em Maragogi, assentados do Bom Jesus produzem polpa e café de açaí, bebida feita com o caroço torrado. A Coopeagro forneceu as mudas e incentivou o plantio, e o Incra orientou a ampliação.
Na fazenda de Boca da Mata fica também o Museu Manoel Marinheira, com mais de 1.500 peças de animais esculpidas em madeira.


