Por que Tulum, destino da moda no México, perdeu um terço dos turistas em 2026
Preço alto, praia com acesso restrito e sargaço cedo explicam a queda de 33% nas chegadas; o governo mexicano fala em baixa temporada.
Tulum recebeu 33,48% menos turistas em 2026. Os números são da Secretaria de Turismo de Quintana Roo, o estado mexicano onde fica o destino. A ocupação dos hotéis recuou cerca de 9 pontos percentuais.
Nos sete primeiros meses do ano, a ocupação média foi de 63,7%. No mesmo período de 2025, tinha sido de 72,7%.

A zona arqueológica, com as ruínas maias à beira do mar, recebeu 257.978 visitantes de janeiro a março, queda de 33,1% sobre o ano anterior, segundo o INAH, instituto mexicano que cuida do patrimônio histórico.
O que afastou o visitante
Moradores e operadores de turismo apontam três causas: preços altos de hospedagem, táxi e comida; restrições de acesso às praias; e a má fama do destino na internet.
O Parque del Jaguar cobra 415 pesos de estrangeiros. Um abaixo-assinado que pede a separação do parque da zona arqueológica passou de 2.800 assinaturas em junho.

O sargaço também chegou cedo. A prefeitura recolheu cerca de 2.500 toneladas até meados do ano, quase o dobro de 2025. Hotéis relatam gasto de até 500 mil pesos por semana, por propriedade, só com limpeza. O governo federal anunciou 768,7 milhões de pesos para barreiras de contenção em alto-mar.
Voos cortados, quartos fechados
No aeroporto de Tulum, os passageiros internacionais caíram cerca de 34% no primeiro trimestre. A American Airlines reduziu a oferta, e a Aeroméxico e a Volaris suspenderam operações por lá.
A associação de hotéis da cidade fala em cerca de mil quartos fechados. Alguns hotéis avaliam fechar por temporada.

O mercado imobiliário sente o mesmo. As locações por temporada ficaram com ocupação de cerca de 20,5%, e a venda de imóveis novos está de 32% a 35% abaixo do nível de 2023.
Há quem aposte na virada: investidores buscam hotéis de luxo para recuperar a exclusividade do destino.
A Secretaria de Turismo do governo federal nega que exista crise. Para ela, os números refletem a baixa temporada, e a recuperação deve começar a partir do fim de outubro.


