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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026 Maceió
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Turismo

O fim do discurso fácil: como a hotelaria de luxo em Alagoas passa a auditar o ESG

Em meio a regras internacionais rígidas e viajantes mais atentos, resorts do litoral alagoano trocam narrativas por certificações com validação independente.

Por Redação Exclusive Alagoas ·
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Vista aérea da arquitetura integrada à natureza do Kenoa Resort, na Barra de São Miguel
Vista aérea da arquitetura integrada à natureza do Kenoa Resort, na Barra de São Miguel · Foto: Divulgação/kenoaresort.com

No segmento de alto padrão, a sustentabilidade deixou de ser um adjetivo de marketing para se transformar em métrica auditável. O movimento reflete uma mudança de comportamento do próprio público: dados da rede global Virtuoso indicam que 59% dos viajantes de luxo estão dispostos a despender mais em estadias responsáveis, sob a condição de verificar de forma transparente como os recursos são aplicados. Paralelamente, marcos regulatórios como a Diretiva 2024/825 da União Europeia estabelecem vetos formais a termos genéricos como “eco” ou “amigo do meio ambiente” desprovidos de auditoria técnica independente.

Em Alagoas, esse movimento encontra eco direto no litoral sul. O Kenoa – Exclusive Beach Spa & Resort, localizado na Barra de São Miguel e detentor da Chave Michelin, concluiu o processo de certificação ESG com a consultoria ESG Pulse. A auditoria estruturou práticas que já compunham a rotina da propriedade, conferindo lastro técnico exigido por plataformas de distribuição internacional, como o Booking.com — que passou a priorizar apenas certificados concedidos por terceiros após encerrar selos próprios.

Ambiente interno do Kenoa Resort na Barra de São Miguel, destacando a arquitetura sustentável e materiais rústicos
Ambiente interno do Kenoa Resort na Barra de São Miguel, destacando a arquitetura sustentável e materiais rústicos · Foto: Divulgação/kenoaresort.com

Rastreabilidade operacional e impacto local

Diferente de relatórios institucionais estáticos, a certificação exige indicadores monitorados de forma contínua. No Kenoa, a operação de 23 acomodações mantém coleta diária de resíduos em 10 quilômetros de praia, projeto luminotécnico adaptado para preservar áreas de desova de tartarugas marinhas e cooperação em iniciativas de salvaguarda do peixe-boi. A arquitetura bioclimática dispensa tintas industriais em favor da argamassa nua, incorpora madeiras de demolição ou reflorestamento e adota abastecimento de água marinha nas piscinas privativas das villas.

A rastreabilidade estende-se à cadeia produtiva e gastronômica. A experiência da ostra, oferecida aos hóspedes no restaurante Kaamo, é realizada em parceria direta com produtores artesanais da Vila Palatéia. No âmbito social, o resort estabeleceu uma diretriz em que cada diária confirmada reverte na doação de uma refeição para comunidades em situação de vulnerabilidade no entorno.

Gastronomia sofisticada valoriza ingredientes locais no Kenoa Resort, na Barra de São Miguel
Gastronomia sofisticada valoriza ingredientes locais no Kenoa Resort, na Barra de São Miguel · Foto: Divulgação/kenoaresort.com

A régua do setor até 2029

A conformidade auditada desenha-se como exigência estrutural para todo o mercado. A Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), da qual participam empreendimentos alagoanos, assumiu o compromisso de ter 100% dos seus membros formalmente certificados em critérios ESG até 2029. Em âmbito estadual, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh/AL) também mantém auditorias para a concessão do Selo Verde Ambiental, aferindo eficiência energética, gestão hídrica e tratamento de efluentes.

Para o proprietário de ativos e o investidor de hospitalidade, a transição aponta para uma exigência clara: sustentabilidade sem sistema de verificação externa perdeu a capacidade de sustentar tarifas elevadas ou dialogar com operadoras internacionais.

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