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O Brasil tem fila para iates de R$ 45 milhões. Alagoas ainda está fora dessa rota

País absorve mais de 90% dos iates de luxo vendidos na América Latina, mas Alagoas recebeu 0,14% dos barcos de recreio importados em 2026. Para quem investe, o vazio é a notícia.

Por Redação Exclusive Alagoas · · atualizado 13/10/2026 às 10h33
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O Amangati, primeiro iate da Aman, em ilustração do projeto
O Amangati, primeiro iate da Aman, estreia em 2027 com 47 suítes · Foto: Aman/Divulgação (ilustração do projeto)

Em 2027, a Aman, rede hoteleira que fez do silêncio um produto de luxo, leva o mesmo conceito para o mar. O Amangati, primeiro iate da marca, terá 47 suítes para 94 hóspedes e estreia no Mediterrâneo antes de cruzar o Atlântico para uma temporada no Caribe, com saídas de Antígua entre novembro de 2027 e janeiro de 2028. É mais um sinal de para onde caminha o dinheiro do alto padrão: para a água. E o Brasil está no centro desse movimento na América Latina. Alagoas, por enquanto, não.

Vista aérea do Amangati: heliponto, piscina e plataforma de praia na popa
O Amangati visto de cima: heliponto, piscina e a plataforma de praia na popa (Foto: Aman/Divulgação (ilustração do projeto))
Sala de estar de uma Grand Suite do Amangati
Uma das Grand Suites: a estética silenciosa dos hotéis Aman levada para o mar (Foto: Aman/Divulgação (ilustração do projeto))

Um mercado com fila de espera

O Azimut Grande 25 Metri, iate de 25 metros fabricado só no Brasil, custa a partir de R$ 45 milhões. Dez unidades já foram vendidas no país, e quem encomenda hoje espera pelo menos dois anos, segundo reportagem da InvestNews de maio. A fabricante italiana anunciou R$ 120 milhões para ampliar o estaleiro de Itajaí (SC), seu único fora da Itália, e prevê começar a produzir ali, no segundo semestre de 2027, o Grande 30 Metri, estimado em R$ 90 milhões. Para o presidente da Azimut no Brasil, Carlo Alberto Sisto, o país absorve hoje mais de 90% dos iates de luxo e embarcações esportivas vendidos na América Latina.

O Azimut Grande 25 Metri navegando
O Azimut Grande 25 Metri, fabricado em Itajaí (SC): a partir de R$ 45 milhões e fila de dois anos (Foto: Azimut Yachts/Divulgação)

Os números oficiais de comércio exterior mostram onde esse mercado se concentra. De janeiro a setembro de 2026, o Brasil importou US$ 104,1 milhões em barcos de recreio e esporte, segundo o Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Santa Catarina, sede dos principais estaleiros, respondeu por US$ 85 milhões. Alagoas, por US$ 143,5 mil: 0,14% do total. Em 2024, o estado tinha importado US$ 1,4 milhão; em 2025, US$ 853 mil.

O que Alagoas tem hoje

A costa alagoana tem os atributos que o setor procura: mar quente o ano inteiro, recifes, piscinas naturais e lagoas abrigadas. A estrutura, porém, ainda é pequena para o porte desse mercado.

  • Uma marina certificada: a Stella Marina, às margens da lagoa da Barra de São Miguel, será a primeira marina de Alagoas com a Bandeira Azul, selo internacional de qualidade ambiental, na temporada 2026/2027. É uma das 12 marinas brasileiras certificadas nesta temporada. Além da guarda de barcos, tem posto de combustível, restaurante e deck sobre a lagoa.
Veleiros atracados na Stella Marina, na Barra de São Miguel, ao entardecer
Fim de tarde na Stella Marina, a primeira marina de Alagoas com a Bandeira Azul (Foto: @stellamarina.bsm)
Iates e lanchas na Stella Marina, Barra de São Miguel
Lanchas e veleiros atracados na Stella Marina, na lagoa da Barra de São Miguel (Foto: Divulgação/Stella Marina)
  • Uma marina pública no papel: em Maceió, o Complexo Turístico do Jaraguá prevê uma marina pública, centro de eventos, área gastronômica e hotel entre o Porto de Maceió e o estacionamento do Jaraguá. O projeto entrou na carteira de parcerias da prefeitura em fevereiro de 2025, por manifestação de interesse do Consórcio Nexus e da Maceió Investe, e ainda está na fase de estudos, sem licitação nem contrato.
O Porto de Maceió e, ao fundo, as orlas de Jaraguá e Pajuçara: o complexo turístico prevê a marina pública entre o porto e o estacionamento do Jaraguá
O Porto de Maceió e, ao fundo, as orlas de Jaraguá e Pajuçara: o complexo turístico prevê a marina pública entre o porto e o estacionamento do Jaraguá (Foto: Porto de Maceió/Divulgação)
  • Um porto em obras: o Porto de Maceió prevê R$ 150 milhões em investimentos até 2027, e o terminal de passageiros foi concedido por 25 anos ao consórcio Britto Macelog. Maceió divide com Salvador a liderança do turismo de cruzeiros no Nordeste.
Navio da MSC atracado no Porto de Maceió, que prevê R$ 150 milhões em obras até 2027
Navio da MSC atracado no Porto de Maceió, que prevê R$ 150 milhões em obras até 2027 (Foto: Porto de Maceió/Divulgação)

No dia a dia, a náutica que o visitante encontra é a do passeio. Em Maragogi, uma lancha privativa para até oito pessoas custa R$ 1.000 por duas horas e meia a três horas, com roteiro pelas piscinas naturais, o Caminho de Moisés e a praia de Antunes; em Japaratinga, R$ 1.800 por quatro horas, segundo a tabela da operadora Tour Maragogi consultada em outubro. As praias da Lage e do Patacho, em Porto de Pedras, também têm a Bandeira Azul nesta temporada.

Orla de Maragogi, com lanchas e catamarãs no mar
Maragogi: lanchas e catamarãs levam às piscinas naturais (Foto: Marinelson Almeida / Wikimedia Commons (CC BY 2.0))

Onde está a oportunidade

Para quem investe, o vazio é a notícia. Um mercado que vende iates de dezenas de milhões de reais com fila de espera precisa, em terra, de vagas molhadas, manutenção, abastecimento, tripulação, charter e hospitalidade. Pelos números de importação e pela estrutura disponível, essa cadeia ainda é incipiente em Alagoas. O estado já tem demanda turística consolidada e uma Rota Ecológica que atrai o hóspede de alto padrão. O que falta é o cais.

Os próximos passos a acompanhar são concretos: o andamento da marina pública do Jaraguá, as obras do Porto de Maceió até 2027 e a primeira temporada da Stella Marina com o selo internacional.

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