Para onde vai o açúcar de Alagoas: Argélia e Marrocos ganham fatia em 2026
Recuo nas vendas para Canadá e Estados Unidos altera a rota do principal produto agrícola alagoano no mercado internacional.
O mapa de destino do açúcar exportado por Alagoas passou por uma reconfiguração expressiva ao longo de 2026. Segundo dados oficiais do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de açúcares de cana do estado somaram US$ 260,1 milhões entre janeiro e setembro deste ano. O valor representa uma retração de 38,1% na comparação com os US$ 420,1 milhões registrados em igual período de 2025. O volume embarcado também caiu, de 858,7 mil para 699,2 mil toneladas.
A maior transformação no fluxo comercial está na perda de relevância dos compradores norte-americanos. Em 2025, o Canadá ocupava a liderança isolada entre os importadores da commodity alagoana, com US$ 101,2 milhões e 213,9 mil toneladas movimentadas nos primeiros nove meses. Em 2026, as vendas para os canadenses recuaram 88,5%, somando US$ 11,7 milhões (27,3 mil toneladas). O mercado dos Estados Unidos também registrou retração acentuada de 65%, passando de US$ 45,3 milhões para US$ 15,9 milhões no mesmo intervalo.
Norte da África assume a ponta dos embarques
Com a desaceleração das compras na América do Norte, a Argélia consolidou-se como o principal destino individual do açúcar alagoano em 2026. O país do norte africano absorveu US$ 71,5 milhões (212,2 mil toneladas), o que corresponde a 27,5% de toda a receita externa gerada pelo produto no estado até setembro. O montante representa um avanço de 6,8% sobre os US$ 66,9 milhões apurados em 2025.
O Marrocos registrou o salto percentual mais expressivo entre os principais importadores, ao movimentar US$ 30,0 milhões em 2026 frente a US$ 6,1 milhões no ano anterior, um crescimento de 390,6%. Outros compradores que mantiveram fatias expressivas na carteira externa do estado incluem:
- Geórgia: segunda maior compradora do açúcar alagoano em 2026 e a maior fora da África, com US$ 33,9 milhões (104,7 mil toneladas);
- Portugal: avanço de 270,1% nas aquisições, alcançando US$ 24,1 milhões (68,0 mil toneladas);
- Croácia e Espanha: compraram US$ 28,9 milhões cada uma entre janeiro e setembro de 2025 e praticamente não aparecem entre os destinos de 2026.
Peso na balança comercial estadual
Apesar da retração de receita, o açúcar de cana segue como o principal item da pauta exportadora de Alagoas, respondendo por 54% de tudo o que o estado vendeu ao exterior nos primeiros nove meses de 2026. O segundo lugar coube aos minérios de cobre e seus concentrados, que somaram US$ 198,4 milhões (41,2% do total), integralmente direcionados para a China.
No agregado de todos os produtos, as exportações alagoanas somaram US$ 482,0 milhões até setembro de 2026, queda de 18,7% frente aos US$ 592,6 milhões apurados no mesmo período do ano anterior. O acompanhamento dos próximos meses indicará se o ritmo de compras do norte da África e da Eurásia será suficiente para sustentar a receita cambial do setor até o encerramento do calendário comercial.


