Jornada de 40 horas pode somar R$ 110 mil a um apartamento de 200 m² em Maceió
Estudo da Abrainc projeta alta de 5,5% no preço final dos imóveis; setor tem 14 meses de transição para decidir o que absorve e o que repassa.
Um apartamento de 200 metros quadrados em Maceió pode ficar mais de R$ 110 mil mais caro com a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários, aprovada no Senado. A conta parte de um levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) com a consultoria Ecconit, que estima alta de 5,5% no preço final dos imóveis em todo o país, por causa da pressão sobre o custo da mão de obra e sobre os prazos de entrega.
O número pesa sobre um mercado que já vinha em alta. Segundo o Índice FipeZAP de setembro de 2026, Maceió chegou a R$ 10.061 por metro quadrado residencial, depois de valorização acumulada de 5,41% em 12 meses. Na Pajuçara, o metro quadrado supera R$ 14,5 mil. Aplicado o índice de 5,5% à média da capital, o acréscimo passa de R$ 550 por metro quadrado. É dessa multiplicação que sai a cifra de mais de R$ 110 mil para a planta de 200 m². Nos lançamentos de até R$ 10 milhões, a recomposição de margens pode mexer nas tabelas de venda.

Canteiro depende de gente
A construção civil é historicamente intensiva em mão de obra presencial, e é aí que a mudança dói. Conforme projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as construtoras precisariam contratar cerca de 288 mil operários adicionais no país a partir de 2027 para manter a produtividade, num setor que já enfrenta escassez de profissionais qualificados.
O mercado local tem fôlego para discutir o assunto. A edição de 2026 do Salão do Imóvel Ademi, articulada por entidades como Ademi-AL e Sinduscon-AL, movimentou R$ 2,67 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), com mais de 2.700 unidades negociadas entre Maceió e destinos de praia como Barra de São Miguel e São Miguel dos Milagres.

Duas etapas, 14 meses
A transição prevista é escalonada. A primeira redução, de 44 para 42 horas semanais, vale 60 dias após a promulgação da emenda constitucional pela Mesa do Congresso, com dois dias de descanso semanal remunerado. O teto de 40 horas entra em vigor 12 meses depois, somando 14 meses de adaptação. Por se tratar de emenda à Constituição, o texto não passa por sanção presidencial nem está sujeito a veto.
Para as incorporadoras com obras longas em andamento, a pergunta agora é quanto do novo custo será absorvido e quanto irá para os contratos futuros. A resposta depende de ganhos de eficiência em sistemas construtivos e da industrialização de etapas da obra, e ainda não está definida.


