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Domingo, 18 de outubro de 2026 Maceió
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Jornada de 40 horas pode somar R$ 110 mil a um apartamento de 200 m² em Maceió

Estudo da Abrainc projeta alta de 5,5% no preço final dos imóveis; setor tem 14 meses de transição para decidir o que absorve e o que repassa.

Por Redação Exclusive Alagoas ·
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Projeto residencial de alto padrão em Maceió reflete o aquecimento e os custos do metro quadrado na capital alagoana
Projeto residencial de alto padrão em Maceió reflete o aquecimento e os custos do metro quadrado na capital alagoana · Foto: Divulgação/v2construcoes.com.br (ilustração do projeto)

Um apartamento de 200 metros quadrados em Maceió pode ficar mais de R$ 110 mil mais caro com a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários, aprovada no Senado. A conta parte de um levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) com a consultoria Ecconit, que estima alta de 5,5% no preço final dos imóveis em todo o país, por causa da pressão sobre o custo da mão de obra e sobre os prazos de entrega.

O número pesa sobre um mercado que já vinha em alta. Segundo o Índice FipeZAP de setembro de 2026, Maceió chegou a R$ 10.061 por metro quadrado residencial, depois de valorização acumulada de 5,41% em 12 meses. Na Pajuçara, o metro quadrado supera R$ 14,5 mil. Aplicado o índice de 5,5% à média da capital, o acréscimo passa de R$ 550 por metro quadrado. É dessa multiplicação que sai a cifra de mais de R$ 110 mil para a planta de 200 m². Nos lançamentos de até R$ 10 milhões, a recomposição de margens pode mexer nas tabelas de venda.

Área de lazer em empreendimento de alto padrão, segmento que acompanha possíveis variações no custo do metro quadrado
Área de lazer em empreendimento de alto padrão, segmento que acompanha possíveis variações no custo do metro quadrado · Foto: Divulgação/v2construcoes.com.br (ilustração do projeto)

Canteiro depende de gente

A construção civil é historicamente intensiva em mão de obra presencial, e é aí que a mudança dói. Conforme projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as construtoras precisariam contratar cerca de 288 mil operários adicionais no país a partir de 2027 para manter a produtividade, num setor que já enfrenta escassez de profissionais qualificados.

O mercado local tem fôlego para discutir o assunto. A edição de 2026 do Salão do Imóvel Ademi, articulada por entidades como Ademi-AL e Sinduscon-AL, movimentou R$ 2,67 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), com mais de 2.700 unidades negociadas entre Maceió e destinos de praia como Barra de São Miguel e São Miguel dos Milagres.

Canteiro de obras da construção civil, setor que avalia os impactos de mudanças trabalhistas nos custos de projetos
Canteiro de obras da construção civil, setor que avalia os impactos de mudanças trabalhistas nos custos de projetos · Foto: Engin Akyurt/Pexels

Duas etapas, 14 meses

A transição prevista é escalonada. A primeira redução, de 44 para 42 horas semanais, vale 60 dias após a promulgação da emenda constitucional pela Mesa do Congresso, com dois dias de descanso semanal remunerado. O teto de 40 horas entra em vigor 12 meses depois, somando 14 meses de adaptação. Por se tratar de emenda à Constituição, o texto não passa por sanção presidencial nem está sujeito a veto.

Para as incorporadoras com obras longas em andamento, a pergunta agora é quanto do novo custo será absorvido e quanto irá para os contratos futuros. A resposta depende de ganhos de eficiência em sistemas construtivos e da industrialização de etapas da obra, e ainda não está definida.

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