A nova era do wellness: o supertênis de US$ 350 e as bebidas funcionais
Entre inovações de biomecânica para maratona e produtos funcionais impulsionados pelo efeito Ozempic, mercado de alta performance ganha novos contornos em Maceió.
A busca por longevidade, rendimento e escolhas eficientes de consumo está reconfigurando a indústria global de esportes e bem-estar. Em um movimento que reflete hábitos já observados entre praticantes de corrida e frequentadores de circuitos premium na capital alagoana, o mercado internacional acelerou a entrega de produtos que aliam tecnologia biomédica a desempenho extremo.
Da suplementação funcional ao consumo na orla de Maceió
No setor de bebidas, a transformação dos hábitos alimentares impulsionada pelos medicamentos agonistas de GLP-1 (conhecidos popularmente como efeito Ozempic) provocou revisões estratégicas em multinacionais. A PepsiCo, por exemplo, reduziu sua estimativa de crescimento de lucro por ação em 2026 para a faixa de 2,5% a 3,5%, pressionada pela desaceleração do consumo de refrigerantes convencionais na América do Norte. Em resposta, a gigante planeja lançar em março de 2027 a Poppi Lift, bebida com cafeína, eletrólitos e foco na saúde intestinal desenvolvida a partir da Poppi, marca adquirida por US$ 1,9 bilhão.

A busca por itens com entrega funcional clara encontra ressonância no dia a dia do consumidor alagoano. Em Maceió, gôndolas de empórios e redes de padrão A, como o Palato nas unidades Ponta Verde e Palato Praia, além de espaços dedicados a produtos saudáveis como o Nosso Granel, vêm ampliando o espaço para isotônicos clean label, kombuchas e itens de hidratação inteligente procurados antes e depois de atividades ao ar livre.

Engenharia de ponta na linha de chegada
Paralelamente, a corrida de rua — modalidade que movimenta diariamente a orla entre a Pajuçara, a Ponta Verde e a Jatiúca — vê a disputa tecnológica atingir um novo patamar com o anúncio do Nike Apex. O modelo foi projetado com drop zero (40 milímetros tanto no calcanhar quanto no antepé), espuma ZoomX LT e camadas sobrepostas de cápsulas Air Zoom, combinação que promete até 40% mais retorno de energia na comparação com o Alphafly 3. Com lançamento global marcado para 27 de janeiro de 2027 ao preço sugerido de US$ 350 no exterior, o tênis estabelece um novo teto para o segmento de supertênis de competição.
No campo da pesquisa avançada, engenheiros da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, deram um passo além nos wearables esportivos. Sob liderança do professor Simiao Niu, ex-integrante da equipe do Apple Watch, o grupo concebeu um protótipo de calçado autossustentável: por meio do efeito triboelétrico, as passadas geram a energia necessária para operar um circuito de inteligência artificial de baixíssimo consumo (86 microwatts), capaz de identificar caminhada, corrida e subida de degraus com 95,4% de precisão. Além de prescindir de baterias, a tecnologia abre caminho para monitorar padrões de marcha e auxiliar no acompanhamento preventivo de distúrbios neurológicos, unindo o monitoramento esportivo à medicina de longevidade.


