Cobre ganha espaço do açúcar e a China já compra 41% do que Alagoas exporta
Dados oficiais do Comex Stat mostram vendas externas 19% menores até setembro e importações que já somam quase o dobro das exportações.
A pauta de exportações de Alagoas sempre teve dono: o açúcar. Em 2026, porém, o mapa mudou de forma visível. De janeiro a setembro, o concentrado de cobre extraído em Craíbas, no Agreste, respondeu por 41,2% de tudo o que o estado vendeu ao exterior, e a China passou a absorver a mesma fatia, 41,2%, segundo os dados oficiais do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), atualizada em 6 de outubro.
Os números contam duas histórias ao mesmo tempo. O cobre cresce; o açúcar recua. E, no saldo, Alagoas exporta menos e importa mais.
O que os dados oficiais mostram
- Exportações de janeiro a setembro: US$ 482,0 milhões em 2026, contra US$ 592,6 milhões no mesmo período de 2025, queda de 18,7%.
- Açúcar: US$ 260,1 milhões até setembro, 38% menos que os US$ 420,1 milhões de um ano antes. Ainda é o primeiro item da pauta, com 54% do total.
- Cobre: US$ 198,4 milhões, alta de 35% sobre os US$ 146,6 milhões do mesmo período de 2025.
- Concentração: açúcar e cobre somaram 96,4% das exportações de 2025, que fecharam em US$ 823,4 milhões. O terceiro item, o tabaco, não passou de US$ 6 milhões.
- Importações: US$ 949,2 milhões de janeiro a setembro, 21% acima de 2025. O saldo negativo do período chega a US$ 467,2 milhões, mais que o dobro do déficit de US$ 193,3 milhões registrado nos mesmos meses do ano passado.
A mudança de peso é gradual, mas constante. Em 2024, o açúcar representava 76,2% das exportações alagoanas e o cobre, 20,4%. Em 2025, as fatias foram de 69% e 27,4%. Em 2026, até setembro, 54% e 41,2%.
A mina chinesa no Agreste
O cobre sai da mina Serrote, em Craíbas, operada pela Mineração Vale Verde. Em abril de 2025, o fundo britânico Appian Capital concluiu a venda de 100% da empresa ao grupo chinês Baiyin Nonferrous por US$ 420 milhões. Até o início de 2025, a mineradora tinha exportado 300 mil toneladas secas de concentrado em 29 embarques pelo Porto de Maceió; 18 deles foram para a China e nove para a Finlândia.
O efeito aparece no destino das vendas. Em 2025, o Canadá foi o principal comprador de Alagoas (US$ 156 milhões, 18,9% do total), seguido de Singapura, Argélia e China. Em 2026, a China saltou de US$ 82,6 milhões para US$ 198,7 milhões no acumulado até setembro. Todo o cobre exportado pelo estado no período, US$ 198,4 milhões, foi para lá; em 2025, parte do concentrado ainda seguia para Singapura e Suíça. Argélia (US$ 71,5 milhões), Geórgia, Marrocos e Portugal aparecem em seguida.
O que o estado compra lá fora
Do lado das importações, não há um produto dominante. Os maiores itens de 2026 são coque de petróleo (US$ 49,4 milhões), derivados halogenados de hidrocarbonetos, usados pela indústria química (US$ 35,6 milhões), enxofre (US$ 25,6 milhões), malas e maletas (US$ 24,4 milhões) e polietileno (US$ 23,2 milhões). Fertilizantes nitrogenados somaram US$ 18 milhões. A lista pulverizada indica uma economia que compra insumos industriais e bens de consumo de muitos lugares e vende, essencialmente, duas commodities.
O porto por onde tudo passa
Açúcar e cobre embarcam no Porto de Maceió, em Jaraguá, administrado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) por meio da Administração do Porto de Maceió (APMC). O porto tem sete berços de atracação, seis em operação, segundo a Agência Câmara, em reportagem sobre o projeto de lei que autoriza a criação de uma Companhia Docas de Alagoas. Até 2027, estão previstos R$ 150 milhões em obras, dos quais R$ 30 milhões aplicados pela própria administração portuária, com shiploader para granéis sólidos, guindaste móvel, dragagem de aprofundamento e revitalização de cinco armazéns.
Para quem investe ou faz negócios no estado, a leitura é clara: a dependência de duas commodities continua, mas a segunda delas agora tem capital chinês e destino chinês. O desempenho do açúcar no restante da safra e o ritmo da mina em Craíbas devem definir se 2026 fecha com a menor receita de exportação dos últimos três anos.


