Brasil passa de 3 litros de vinho por pessoa, e Maceió já tem cena para acompanhar
Brancos crescem, tinto recua e o sem álcool chega ao supermercado; Maceió tem importadoras, lojas e wine bars, mas não tem dado próprio de consumo.
O consumo de vinho no Brasil passou pela primeira vez de 3 litros por habitante ao ano, segundo Malu Sevieri, diretora da ProWine São Paulo, principal feira profissional do setor no país. O mercado movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões em 2025, e a projeção para 2026 é de mais de R$ 22 bilhões. A Argentina, para comparar, fica perto dos 30 litros.
O crescimento veio dos dois extremos da prateleira. As garrafas acima de R$ 1.000 faturaram cerca de 15% mais no ano passado, e os espumantes chegaram a 4,5 milhões de caixas de nove litros, alta de 8%. Para Malu, a expansão combina consumidores mais informados, gente nova bebendo vinho e uma indústria nacional mais forte.

O gosto mudou de cor
Os brancos são a categoria que mais cresce em termos percentuais, o rosé está estável e o tinto recuou 1,4%. Os vinhos sem álcool ou de baixo teor alcoólico, que até o ano passado só apareciam em lojas especializadas, já chegam às prateleiras dos supermercados. “O que a gente vê na ProWine em São Paulo, depois de três meses você vê na gôndola do supermercado”, diz Malu.
A frase importa para quem compra. A feira deste ano, de 6 a 8 de outubro, no Expo Center Norte, reúne mais de 2 mil produtores de 43 países e ocupa dois pavilhões pela primeira vez. Franceses, espanhóis e portugueses chegam em maior número, de olho no acordo entre União Europeia e Mercosul, que vai zerar as tarifas de importação entre os blocos até 2034. “O argentino bebe vinho argentino. O Brasil bebe vinho do mundo inteiro”, resume a executiva.
Na edição de 2025, a feira recebeu mais de 20 mil visitantes, 87% deles tomadores de decisão, e fechou cerca de R$ 250 milhões em negócios na hora, segundo a organização.

E em Maceió?
Não há dado de consumo de vinho específico de Alagoas, e os números estaduais que circulam não batem com a média nacional, então vale não extrapolar. O que existe é uma cena local visível. Em outubro de 2024, a Associação Brasileira de Sommelier de Alagoas realizou em Maceió o primeiro concurso de sommelier do Nordeste, junto com o Big Wine Day, que reuniu mais de 150 rótulos de importadoras e distribuidoras alagoanas, de Brasil, Argentina, Chile, Portugal, Itália e Eslovênia.
No varejo, a Ponta Verde concentra endereços como a Grand Cru, na Rua Engenheiro Mário de Gusmão, 560, que se apresenta com mais de 600 rótulos de 14 países e atende também restaurantes e hotéis, e o Palato, loja e bar na Rua Deputado José Lages, 700. Entre os bares, o C’vinho Wine Bar faz aulas com degustação e harmonização conduzidas pela sommelière Juliana Visak, e o Bon Vin, de Roberta Queiroz e do sommelier Nico Ferrandiz, já foi citado em guias locais. Parte dessas informações vem de guias antigos: confirme horários e acervos antes de ir.
Para o leitor, a leitura prática é simples: com a oferta de brancos, espumantes e opções sem álcool tendendo a chegar às gôndolas cerca de três meses depois da feira, vale olhar a carta das casas locais para ver quem já acompanha o movimento.


